quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Amazônia Azul: O Mar que nos Pertence


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Energía e Geopolítica
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A Amazônia Azul: O Mar que nos Pertence

Almirante Guilherme Mattos de Abreu
Para muitos, o tema Amazônia Azul conflita com a Amazônia. Na verdade, isto não ocorre. Se verificarmos as prioridades estabelecidas na legislação, no caso, na Política de Defesa Nacional (PDN) b, veremos que o documento atribui primazia à “O ENCONTRO DE DUAS AMAZÔNIAS” foi promovido pelo Centro de Atividades Externas da Escola Superior de Guerra. 
Foi aberto pelo General-de-Exército José Benedito de Barros Moreira – Comandante da Escola, (fundador do CEPEN).

Na Amazônia Verde, a presença da Marinha é muito discreta. Ali, indiscutivelmente, é predominante a ação do Exército e da Força Aérea. Isso é ditado pelo ambiente. Por outro lado, a Marinha, ainda que presente na Amazônia, tem que cuidar dos interesses do Brasil no Oceano.
Em um enfoque estratégico, a grande área de interesse denominada Atlântico Sul estende-se do Continente Antártico ao hemisfério norte, à altura do paralelo 16º N. Evita-se, deste modo, dividir-se artificialmente um dos mais significativos componentes geoestratégicos da região, que é o estreito de cerca de 1750 milhas náuticas entre o Nordeste brasileiro e o saliente africano. Também não se pode esquecer que uma parte do Brasil encontra-se no hemisfério norte.
O oceano não separa – une. Para leste, essa área de interesse vai até a África. Aqui, aplica-se um secular conceito inglês: “onde houver um país que faça margem ao oceano, esse país faz fronteira com a Inglaterra”. Portanto, os países africanos que margeiam o Oceano Atlântico são os nossos vizinhos na fronteira oriental.
Este é um dos motivos relevantes porque o Brasil mantém laços fortes com os países africanos. Na África, estamos, por exemplo, ajudando a organizar a Marinha da Namíbia. Para um brasileiro, é emocionante visitar a Base Naval de Walvis Bay e ser recebido por oficiais e praças trajando uniformes iguais aos da Marinha do Brasil, seguindo o mesmo cerimonial adotado em nosso país, utilizando nossas gírias e terminologia – uma pequena amostra que exterioriza o desenvolvimento de um bom relacionamento e empatia.
A Política de Defesa Nacional atribui prioridade, também, às áreas vitais, que são aquelas em que existe concentração dos poderes político e econômico. No Brasil, observamos que cerca de 90% do petróleo é produzido no mar. O restante é produzido em terra, em sua maior parte nas áreas costeiras – ou seja, próximas ao mar. Cerca de 80% da população concentra¬se em uma faixa de duzentos quilômetros do litoral, ao alcance de ações vindas do mar. É lógico inferir que a maior parte dos poderes econômico e político encontra-se nessa faixa, a qual reúne inúmeras regiões classificáveis como vitais.
Tais aspectos indicam que há uma concentração de macrovalores ao alcance de ações vindas do mar.
Amazônia Azul
Amazônia Azul. Fonte: Site Poder Naval
Conclui-se que, em sentido amplo, a área costeira e a área marítima marginal ao Continente -e que constitui a denominada Zona Econômica Exclusiva (ZEE) – inserem-se no conceito de área vital. Essa ZEE, com alguns acréscimos, é denominada Amazônia Azul. Mais adiante veremos o que é ZEE, quais foram esses acréscimos e o porquê da denominação Amazônia Azul.
Antesdeprosseguirmos,faz-senecessárioapresentarosconceitos de segurança e defesa, pois ambos permearão a abordagem.
A PDN (Política de Defesa Nacional) aponta que, no passado, a segurança era vista somente pelo ângulo da confrontação entre Estados, ou seja, pela necessidade básica de defesa externa. À medida que as sociedades se desenvolveram, novas exigências foram agregadas. Gradualmente, o conceito de segurança foi ampliado, abrangendo os campos político, militar, econômico, social, ambiental e outros.
As medidas que visam à segurança são de largo espectro, envolvendo, além da defesa externa: defesa civil; segurança pública; políticas econômicas, de saúde, educacionais, ambientais e outras áreas, as quais, em sua maior parte, não são tratadas por meio dos instrumentos político-militares. Pode, ainda, ser enfocada a partir do indivíduo, da sociedade e do Estado, do que resultam definições com diferentes perspectivas.
Em linhas gerais, segurança é a condição em que o Estado, a sociedade ou os indivíduos não se sentem expostos a riscos ou ameaças, enquanto que defesa é ação efetiva para se obter ou manter o grau de segurança desejado.
Especialistas convocados pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de _990, definiram a segurança como “uma condição pela qual os Estados consideram que não existe perigo de uma agressão militar, pressões políticas ou coerção econômica, de maneira que podem dedicar-se livremente a seu próprio desenvolvimento e progresso”.
A PDN adotou os seguintes conceitos:
I -Segurança é a condição que permite ao País a preservação da soberania e da integridade territorial, a realização dos seus interesses nacionais, livre de pressões e ameaças de qualquer natureza, e a garantia aos cidadãos do exercício dos direitos e deveres constitucionais;
II -Defesa Nacional é o conjunto de medidas e ações do Estado, com ênfase na expressão militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas,
potenciais ou manifestas.
Como isso a Amazônia, com área superior a metade do território nacional, ainda que possa ser protegida e explorada economicamente, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, como estabelece a Constituição, passa a valer proporcionamente muito pouco, em termo mensuráveis e práticos, para o brasileiro.
Na Amazônia Azul, como veremos a seguir, o Brasil também apresenta demandas importantes no que se refere à segurança.
Também veremos que, na Amazônia Azul, em pleno século XXI, essa proeza chamada Brasil estabelece os seus limites orientais a sua última fronteira.
Um pouco de história
O Brasil nasceu do mar! Trata-se de uma afirmativa por demais óbvia. Todos sabemos que os nossos descobridores chegaram pelo mar. Mas é importante visualizar-se o fato histórico por um outro prisma. O Brasil é uma proeza histórica, fruto de um empreendimento do qual não faltou visão de futuro, muito estudo, obstinação, sacrifício, fé e coragem ao longo de séculos.
Ao pesquisarmos a história das Grandes Navegações Portuguesas, podemos colocar o início do processo no longo reinado de D. Diniz entre outras iniciativas, deu continuidade ao plantio dos pinhais em Leiria (ainda hoje existentes), iniciado por seu pai, D. Afonso III, com o propósito de proteger as plantações dos avanços das dunas, mas que – logo se verificou -poderiam ser utilizados como fonte de matéria prima para a construção de embarcações. Criou uma armada destinada a proteger a costa dos ataques dos piratas e organizou a construção naval e o ensino das técnicas de navegação e de táticas de luta no mar.
O fato é que Portugal com muito menos poderia se contentar, mas escolheu perseguir a grandeza!
No século XVI, o recém-descoberto Brasil logo despertou a cobiça estrangeira. O período colonial é permeado por confrontos freqüentes, onde o mar sempre esteve presente, seja como cenário de luta ou como via para o apoio logístico das forças pelejando em terra.
As providências luso-espanholas para recuperar Pernambuco dos holandeses, por exemplo, incluíram o envio de três esquadras ao Brasil. Na época, ocorreram grandes batalhas navais, como o Combate de Abrolhos, e a Batalha Naval de 1640, no Nordeste, da qual participaram 66 navios e embarcações luso-espanholas e 15 holandesas. Por vezes, os combates contavam com o concurso dos indígenas, como ocorreria na Baía de Guanabara em 1567, ocasião em que índios formaram ao lado dos portugueses, reforçando-lhes a esquadra com embarcações a remo e contribuindo para a expulsão dos invasores.
Mas, em 1580, ocorreu um episódio marcante, que teria profundos reflexos na construção de nosso país: A União Ibérica. Em decorrência do falecimento do Rei D. Sebastião I (1578), sem deixar herdeiros diretos, Portugal e Espanha passam a ter um único rei. Note-se que se configurou o que, em monarquias, denomina-se “união pessoal”, onde dois ou mais estados são governados por um mesmo soberano, mas permanecem independentes.
Temos, como conseqüência, as invasões holandesas (visto que os inimigos de Espanha passaram a ser inimigos de Portugal) e o início da expansão territorial da colônia, pois, na prática, inibiram-se os entraves em se ultrapassar o limite estabelecido em Tordesilhas, que delimitava a fronteira com a possessão espanhola.
Bandeirantes e entradistas, partindo principalmente de São Paulo, incursionaram pelo interior, estabelecendo estações de apoio, que evoluiriam para cidades e posições fortificadas. Algumas dessas últimas virariam fortes, ao longo da imensa região centro-oeste.
Nessa época, ocorreu um episódio relativamente pouco conhecido. Trata-se da expedição de Pedro Teixeira. Evento que dá início a uma história que, de certo modo, liga as duas “Amazônias”.
Em 1616, alguns padres e soldados espanhóis chegam a Belém, vindos do Equador, onde, atacados pelos índios Encabelados, fugiram por um caminho não usual, descendo o Rio Amazonas. Pediram auxílio ao Governador do Grão-Pará, Jacomé Raimundo de Noronha, que decidiu enviar uma expedição rio acima. Confiou o comando da empreitada a Pedro Teixeira -um militar português que, desde a campanha do Maranhão (1616), se destacara no combate a invasores holandeses, franceses, irlandeses e ingleses na região da foz do Amazonas.
O governador era um homem de visão e vislumbrara no episódio uma oportunidade para alargar o domínio português. Por iniciativa própria, dá ordens a Pedro Teixeira para que coloque marcos em nome da coroa portuguesa na região a ser explorada.
São feitos como esses que, mais tarde, vão delinear o contorno do Brasil. No século seguinte, o diplomata Alexandre de Gusmão, um brasileiro a serviço da Corte portuguesa, lideraria as negociações que levariam à assinatura do Tratado de Madrid (1750), o qual teria como base o princípio do uti possidetis. Foram as estações de apoio e fortificações implantadas pelos exploradores e os pontos assinalados por Pedro Teixeira que serviriam como referência para a aplicação do uti possidetis no Continente. O Tratado não durou muito, mas implantou o princípio que serviria como referência para os tratados subseqüentes entre Portugal e Espanha.
Aqui vale um questionamento: Ao longo de nossa história, muito se fala sobre a série de conflitos na região do Prata. As lutas no norte pouco aparecem. Como é que a Amazônia – equivalente à metade do território nacional -foi preservada como brasileira?
A Amazônia brasileira foi preservada graças ao controle do acesso ao Rio Amazonas, por meio de fortificações em terra e de forças navais na região da foz e área marítima adjacente. A Marinha Portuguesa passou a ter unidades em caráter permanente na região a partir de 1718, quando foi criada a Divisão Naval do Norte, com sede em Belém.
Portanto, a Amazônia continuou brasileira porque se conseguiu controlar o seu acesso a partir do mar, ou seja, por ações em sua interface com a Amazônia Azul. Ainda hoje, a despeito de o desenvolvimento tecnológico ter criado novas variáveis, o controle da foz do rio Amazonas mostra-se vital para a proteção da região.
A vulnerabilidade a ataques vindos do mar para os países que margeiam o Atlântico Sul é intuitiva e histórica. Desde o século XVI, toda a coerção de conteúdo militar, exercida por alguma potência do norte foi conduzida a partir do mar, tendo como objetivo primeiro as comunicações marítimas e o litoral. Das incursões dos piratas e corsários no período colonial, até os ataques dos submarinos do Eixo na Segunda Guerra Mundial, passando pelas agressões isoladas promovidas pela Marinha Britânica no século passado, assim tem sido e nada do que preconiza a nova ordem nos leva a crer que será diferente no futuro. As possíveis intervenções por razões econômicas, respaldadas pelo ”dever de ingerência”, sob a capa de razões éticas, defesa da humanidade ou do meio ambiente virão, com certeza, pelos caminhos do mar.e
A Amazônia brasileira seria preservada graças ao controle do acesso ao Rio Amazonas, por meio de fortificações em terra e de forças navais. Portanto, a Amazônia continuou brasileira por ações em sua interface com a Amazônia Azul.
Passemos ao século XX -para a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, o Brasil importava praticamente tudo que era necessário para a vida moderna. Além disso, éramos, na prática, um arquipélago, pois não possuíamos vias terrestres de qualidade. O país praticamente parou, ao se restringir o tráfego marítimo em decorrência da ação de submarinos alemães e italianos.
A memória nacional pouco destaca o que se viveu nessa fase. O país aparenta não ter sentido muito o problema. As características da população podem justificar esse desconhecimento: éramos pouco mais de 41 milhões de habitantes (1940), dos quais menos de um terço residiam em área urbana; 56% dos indivíduos com mais de quinze anos eram analfabetos . As pessoas que viviam na zona rural, naquele tempo, tinham poucas exigências e gozavam de relativa auto suficiência; e os analfabetos têm dificuldades para interpretar fatos e se manterem informados, bem como para registrar e preservar as suas experiências.
Na Guerra, nós perdemos cerca de 1.500 brasileiros no mar, sendo que 501 eram passageiros de navios mercantes. Ao todo, as embarcações civis (quase todas navios mercantes, sendo que dezenove antes da declaração de guerra) foram afundadas por ação de submarinos alemães ou italianos, no exterior ou navegando próximo ao litoral brasileiro. Inúmeros navios mercantes foram avariados por ataques ou em acidentes devido à navegação em situações-limite (em águas rasas para evitar ataques; navegando muito próximos e com luzes de navegação apagadas nos comboios, o que facilitava a ocorrência de colisões; etc.). A Marinha do Brasil (MB) perderia três navios de guerra e 486 militares no conflito.
A história de Pirapora, Minas Gerais, registra que, durante a Segunda Guerra Mundial, o movimento na cidade, aumentou significativamente. É que, por segurança e, certamente, por carência de meios, passou a ser atraente viajar entre o Sudeste e o Nordeste pelo Rio São Francisco. Naquela época, chegava¬se de trem à Pirapora; descia-se o rio até Juazeiro ou Petrolina, de onde se prosseguia de trem. O quase centenário Vapor “Benjamim Guimarães”, de propulsão a roda e ainda em atividade, é testemunha daquele tempo. Entre 15 e 19 de agosto de 1941, um único submarino alemão (U-507) afundou, na costa do nordeste (Bahia e Sergipe), cinco navios mercantes, matando 607 pessoas entre passageiros e tripulantes. Na ocasião, uma unidade de artilharia estava sendo transferida para o Nordeste e muito militares do Exército pereceram.
Note-se que o Brasil perdeu nesses poucos dias, por ação de um único submarino, mais vidas do que perderia na Itália durante a Guerra. E esse submarino tinha uma tripulação em torno de 55 homens, apenas!
Foram as ações do U-507 que levaram o Brasil à Guerra. Em 11 de agosto de 1941 o governo brasileiro reconheceu o estado de beligerância com a Alemanha e Itália, que evoluiu para Estado de Guerra, em 11de agosto.
Poderia ser muito pior! A Alemanha planejava desencadear uma operação no litoral brasileiro com diversos submarinos. Incluiria, não só ataques aos navios em trânsito, mas também bombardeios a portos e navios atracados, à semelhança do que realizara no Caribe algum tempo antes. Razões de natureza logística, como a indisponibilidade de navios reabastecedores, impediu a realização de um ataque de tal envergadura, que por fim, limitar-se-ia à ação do U-507.
Na Guerra, as perdas só não foram maiores por causa do sistema de comboios adotado pelos Aliados (do qual a MB participou escoltando mais de 1.000 navios), o que permitiu ao país assegurar o suprimento do material vital que necessitava.
A Marinha envolveu-se nesse conflito por mais tempo que o próprio país, uma vez que sua participação iniciou-se em Outubro de 1941, com o posicionamento da Corveta “Camaquã” em patrulha no Nordeste; e só terminaria alguns meses após o fim da Guerra, depois de assegurado que o Atlântico Sul estava efetivamente livre de submarinos desinformados do término do conflito.
É importante destacar, ainda, que a Segunda Guerra Mundial encontrou a Marinha em situação material bastante precária -principalmente para enfrentar submarinos -devido ao abandono que fora relegada pelos governos. Foi com enorme esforço e com auxílio norte-americano que, em pouco tempo, conseguiu-se dispor de uma força de navios anti-submarino bem equipados e aguerridos.
Trata-se de situação recorrente na História do Brasil. Fruto de deficiente análise estratégica, a Marinha Imperial viu-se compelida a travar a Guerra da Tríplice Aliança despreparada para combates em cenário fluvial -o que contribuiria para o prolongamento do conflito, ao impedir o aproveitamento do êxito da vitória na Batalha Naval de Riachuelo (11de junho de 1865). O despreparo apareceria novamente quando, também em decorrência do afundamento de navios mercantes, o Brasil ingressou na Primeira Guerra Mundial.
O resultado devastador da ação do submarino alemão U-507 em agosto de 1941 destaca a importância desse meio. O submarino é, de longe, a maior ameaça existente no mar. Oculto nas profundezas e tendo o próprio meio ambiente como aliado, esse tubarão de aço fez surgir a mística do combatente solitário, caçador, que faz a hora e tem no ataque a sua única forma de agir. Sua presença acarreta tal grau de incerteza, que obriga os adversários a constituírem forças expressivas para – com discutíveis chances – poder enfrentá-lo. Por essa superioridade intrínseca, o submarino vem sendo empregado, por excelência, como a principal arma de dissuasão dos países cuja estratégia global se insere no contexto defensivo, como é o caso do Brasil. Eles não podem exercer o domínio do mar, mas impedem que outros países o façam.
Passemos ao ano de 1961, para um episódio denominado “Guerra da Lagosta”.
Ainda que tenha sido batizada como “guerra”, o que ocorreu foi uma crise decorrente de um conflito de interesses que chegaria a seu ápice em Fevereiro de 1961. Crise essa freqüente e injustamente ridicularizada. Entretanto, o evento merece ser encarado com maior seriedade e atenção, principalmente pelas lições que encerra. Destaca-se que foi um confronto que envolveu um tema ambiental, possivelmente, o primeiro com essa característica em que o Brasil se envolveu.
O fato gerador foi a presença de barcos de pesca franceses capturando lagostas na costa do Nordeste, fora do Mar Territorial. Os franceses defendiam a tese que a lagosta nadava e era um recurso da água; portanto, poderia ser pescada. Para o Brasil, a lagosta necessitava manter-se em contato físico com o fundo, logo era um recurso da plataforma continental, e como tal, pertencia ao país costeiro.
Note-se que o Brasil quase chegou ao enfrentamento bélico, não só para preservar um recurso econômico existente em sua plataforma continental, mas também, à luz dos argumentos empregados, para proteger o seu habitat, que os franceses já teriam impactado em outras áreas, devido às técnicas de captura que empregavam.
Eles pescavam arrastando redes no fundo do mar, sistema que não é seletivo, pois pega tudo o que encontra: lagostas ovadas ou muito pequenas e outros espécimes, tanto da flora quanto da fauna marinha. No processo, o que não servia era devolvido à água. Em suma: um desastre ecológico.
Houve acusações – comprovadas por ocasião das inspeções em barcos franceses apresados – de que as redes também capturavam e destruíam os dispositivos artesanais de pesca dos pescadores brasileiros.
A crise foi um problema bastante grave, com condução por vezes deficiente por parte dos diversos atores envolvidos. Poderia evoluir para um confronto militar, uma vez que unidades da Marinha Francesa estavam relativamente próximas, realizando exercícios de adestramento de rotina nas costas do Senegal. Tanto que a escalada da crise ocorreu em decorrência do presidente De Gaulle decidir enviar um dos navios de guerra que participava do adestramento (o Contratorpedeiro “Tartu”) para proteger os barcos de pesca franceses. Daí a reação brasileira de enviar navios da Esquadra do Rio de Janeiro para o Nordeste, a qual seria acompanhada por uma mídia alvoroçada.
A conformação de nossas fronteiras
Hoje em dia, o Brasil possui as suas fronteiras terrestres perfeitamente definidas.
Foram estabelecidas ao longo de um processo que culminou com as ações de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão de Rio Branco, em sua gestão como Ministro das Relações Exteriores.
O Barão do Rio Branco lançava mão de todas as expressões do poder. Ele aplicava o “poder suave”, fundamentado em seu extenso conhecimento e cultura. Era um homem muito estudioso, capaz de apresentar, na mesa de negociações, argumentos e documentos difíceis de contestar. Ele também conseguiu o respaldo do poder econômico nacional, obtendo recursos para fazer concessões à Bolívia e para indenizar o Bolivian Syndicate, que detinha a concessão das terras hoje acreanas.
Rio Branco também procurou obter o respaldo de um poder militar, que então era insuficiente e que, portanto, necessitava ser ajustado para um nível que conferisse credibilidade. No longo período em que o Barão exerceu o cargo de Ministro, reestruturou-se o Exército e modernizou-se a Marinha, por sinal, então muito deteriorada, em função dos conflitos internos que ocorreram no início da República. O Barão entendia que era preciso ter a capacidade de mostrar cara feia ao oponente; defendia a tese de que era necessário ser forte para ser pacífico.
A Amazônia Azul
E as fronteiras marítimas? Historicamente, as fronteiras marítimas evoluíram em função dos avanços tecnológicos e do conhecimento. Houve época, que eram referenciadas ao alcance do tiro de canhão – três milhas marítimas (uma milha marítima é equivalente a 1.851metros).
Mais tarde, em alguns países, passou-se a seis ou a doze milhas. Os recursos da plataforma continental, que é a extensão da massa continental sob o mar, pertenciam ao país costeiro, até duzentas milhas. Por ocasião da Guerra da Lagosta (1961), o Brasil adotava três milhas de Mar Territorial, doze milhas de Zona Contígua l e até duzentas milhas de plataforma continental. Nos anos setenta, alguns países (inclusive o Brasil) tentaram impor um Mar Territorial de duzentas milhas, o que foi motivo de muita discussão no cenário internacional.
Na situação atual, em consonância com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar (CNUDM – 1981), temos: até doze milhas, o Mar Territorial, onde o estado costeiro exerce soberania plena em relação às águas, solo, subsolo e espaço aéreo sobrejacente. A partir do limite exterior do Mar Territorial, o estado costeiro não mais exerce soberania, mas jurisdição sobre os diversos espaços marítimos, nos termos da Convenção. Seguem¬se doze milhas de Zona Contígua, que se superpõe, nesta faixa, à Zona Econômica Exclusiva (ZEE), a qual se estende do limite do Mar Territorial até duzentas milhas, ou seja, por uma extensão de 188 milhas.
Na Zona Econômica Exclusiva, o estado costeiro exerce direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais vivos e não-vivos das águas, do solo e do subsolo marinhos e, no que se refere a outras atividades, para exploraçãoe aproveitamento econômicos,como a geraçãode energia a partir da água, de correntes marítimas e ventos; e jurisdição, no que se refere à instalação e utilização de ilhas artificiais, instalações e estruturas (plataformas de petróleo, por exemplo), investigação científica marinha e proteção e preservação do meio marinho.
Em alto mar, existe a denominada Área, onde não há jurisdição nacional. Pela Convenção a Área e seus recursos são patrimônio da humanidade e qualquer país pode exercer os direitos de exploração econômica, mediante ajustes com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, que tem sede na Jamaica.
A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar estabeleceu normas relevantes. Entrou em vigor em novembro de 1994, após ser depositado o instrumento de ratificação pela Guiana, o sexagésimo país a assinar a Convenção. Atualmente, cerca de 150 países aderiram à Convenção.
Uma parte importante da Convenção é a de número VI, onde encontramos que, quando um Estado costeiro tiver a intenção de estabelecer o limite exterior de sua Plataforma Continental (PC) além das 200 milhas marítimas (até 350 milhas), apresentará à Comissão de Levantamento da Plataforma Continental (CLPC) da ONU as características de tal limite, juntamente com informações científicas e técnicas de apoio.
Estabeleceu-se, ainda, o prazo de até dez anos, após a entrada em vigor da Convenção, para que fosse apresentada a reivindicação à Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas.
Aqui se vislumbrou uma oportunidade de expansão, que os brasileiros souberam aproveitar. Trata-se de um daqueles eventos que não ganham repercussão quando implementados, mas que só a história é capaz de julgar a relevância.
Mas o que foi escrito até agora pode não ter grande significado para quem não está familiarizado com o tema. Vamos abordá-lo de forma mais simples. Como é o fundo do mar?
O fundo do mar é, em linhas gerais, um grande declive. A uma distância variável da costa, ocorre um mergulho para as grandes profundidades. Obviamente, o fundo do mar é irregular e repete o relevo presente na superfície dos continentes. Ali temos planícies, vales e montanhas. Eventualmente, as elevações afloram a superfície, formando ilhas ou simples rochedos; ou chegam próximo à superfície, formando o que os navegantes batizaram de “alto fundo”, que podem ser perigosos à navegação, quando muito rasos.
A novidade é que, a partir da entrada em vigor da Convenção, caso a plataforma continental exceda as 200 milhas, o país costeiro passou a poder reivindicar os recursos do subsolo e do leito marinho na extensão excedente (até 350 milhas) devendo apresentar essa reivindicação à Comissão de Limites da ONU, em prazo determinado (os recursos da água não estão incluídos). O prazo limite original de dez anos após a entrada em vigor da Convenção (portanto, a contar de 1994), posteriormente, foi estendido, uma vez que a maior parte dos países não conseguiu apresentar as suas reivindicações na moldura de tempo estabelecida.
Mencionou-se que, nessa Convenção, vislumbrou-se uma oportunidade. Ao longo de dez anos, desde 1987, a Marinha e a Petrobrás, com o auxílio da comunidade científica, desenvolveram um trabalho de levantamento intenso e acurado, denominado Levantamento da Plataforma Continental -LEPLAC, de modo a delimitar o relevo submarino, para que o Brasil pudesse reivindicar essa área excedente à linha de 200 milhas.
Em setembro de 2004, já no limiar do prazo original, o Brasil apresentou a sua proposta, sendo o segundo país a fazê-lo. A proposta ainda hoje está em avaliação na ONU. Trata-se do ônus do pioneirismo. Volta e meia,a Comissão retorna com perguntas e pedidos de esclarecimento.
Novas reuniões estão previstas.
A proposta brasileira é ao mesmo tempo grandiosa e relativamente incontroversa, uma vez que, nas distâncias envolvidas, não existem territórios pertencentes a outros Estados e o Brasil se acertou com os vizinhos – Uruguai e França (a Guiana Francesa é um départements d’outre-mer – estado ultramarino – da França). Mesmo que não seja aceita em sua plenitude representará ganho considerável.
Em vista das dificuldades observadas por países como a Rússia em sua demanda, alguns Estados estão apresentando as propostas em conjunto, aparando, antecipadamente, as possíveis arestas existentes. Um detalhe importante é que, como poucos respeitaram o prazo dedeza no se hoje correm para recuperar o tempo perdido, abriu-se uma oportunidade de negócios muito interessante para o Brasil: assessorar outros paises na delimitação de sua plataforma continental.
Cabe destacar, ainda, a ampliação decorrente do guarnecimento permanente por pesquisadores, de uma Estação Científica no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, que até recentemente era desabitado. A presença humana no arquipélago permitiuoestabelecimento de uma ZEE de 450.000km2, representando um acréscimo equivalente à área do Estado da Bahia.
O relevo submarino da costa brasileira, conforme levantado pelo LEPLAC.
O somatório das áreas inseridas no contorno das duzentas milhas em relação ao continente e ilhas oceânicas, acrescido da área adicional reivindicada entre 200 e 350 milhas, perfaz um total de 4.451.766 km2, da mesma ordem de grandeza da área da Amazônia. É como se tivéssemos uma outra Amazônia!
Fruto dessa analogia, o Almirante-de-Esquadra Roberto de GUIMARÃES CARVALHO, então Comandante da Marinha, escreveu um artigo no jornal Folha de São Paulo m (25 de fevereiro de 2004), onde, entre outros argumentos, apontava que “há uma outra Amazônia, cuja existência é, ainda, tão ignorada por boa parte dos brasileiros quanto o foi aquela por muitos séculos. Trata-se da Amazônia Azul, que, maior do que a verde, é inimaginavelmente rica. Seria, por todas as razões, conveniente que dela cuidássemos antes de perceber-lhe as ameaças.”
A partir daí, a expressão Amazônia Azul passou a ser utilizada com freqüência. É empregada em documentos formais, como, por exemplo, na Política de Defesa Nacional.
O relevante desse tópico é que, decorrido um século do estabelecimento de nossas fronteiras terrestres, estamos traçando a nossa última fronteira – a fronteira marítima.
Aspectos Estratégicos
Passemos aos aspectos estratégicos relacionados ao Atlântico Sul, mais precisamente à Amazônia Azul.

Zonas Econômicas Exclusivas (ZEEs) no Atlântico Sul. Mapa elaborado por Lucas K. Oliveira
A presença britânica
Esse imenso Oceano, até as costas da África, parece um grande vazio. Mas não é! A Grã-Bretanha, por exemplo, está presente, de posse de um cordão de ilhas oceânicas das quais as mais importantes são Ascensão, onde existe uma base militar, e o Arquipélago das Malvinas ou Falklands, militarmente guarnecido, inclusive com a presença de ao menos um navio de guerra, obedecendo a um sistema de revezamento. A partir de Ascensão, é possível controlar o tráfego oceânico no estreitamento existente entre o Nordeste brasileiro e a costa ocidental africana. Na Guerra das Malvinas (1982), Ascensão foi ponto de apoio importante para a retomada das Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.
O arquipélago das Malvinas está situado na extensão da plataforma continental, de rico subsolo marinho (petróleo e gás) e recursos pesqueiros.
Tráfego Marítimo
Um aspecto importante é a necessidade de se acompanhar e controlar o tráfego marítimo que circula pelo Atlântico Sul.
Este Oceano, inclusive, é uma via marítima vital para as nações mais desenvolvidas do hemisfério norte. Com relação ao Brasil, esta importância é potencializada. Cerca de 95% do nosso comércio exterior flui pelo mar. Além disso, existe a navegação de cabotagem, ou seja entre portos e terminais dentro do Brasil, como por exemplo, o transporte de petróleo e gás das plataformas de explotação marítimas para as refinarias; distribuição de combustível entre terminais litorâneos, etc.
A distribuição das linhas marítimas de interesse, envolvendo o tráfego de, em média, quinhentos navios mercantes por dia. Este número pode parecer pouco expressivo para quem não está familiarizado com o tema, mas um único navio é capaz de transportar uma grande quantidade de carga. Exemplos:
• Os navios porta-contentores transportam carga em caixas padronizadas de 20 e 40 pés (6,058 e 12.192 metros), denominados contentores ou containers, que podem ser transferidos rapidamente para um trem, caminhão ou barcaças, o que os tornam ideais para os sistemas integrados de transporte. Existem navios de diversas dimensões. O maior porta-contentores do mundo e primeiro de uma série, o navio mercante EMMA MAERSK (entrou em operação em 2006), de 158.000 TDW e 397 metros de comprimento, tem capacidade para transportar cerca de 11.000 contentores de 20 pés, ou seja, a carga equivalente a de 11.000 caminhões. Esse navio opera entre a Europa e o Extremo Oriente.
• O maior navio graneleiro em operação, o Berge Stahl, que realiza o transporte de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) do Terminal Marítimo Ponta da Madeira (Maranhão), para Roterdã, na Holanda, já tendo realizado viagens para a China, tem capacidade para transporter 355 mil toneladas. O navio tem 343metros de comprimento e 65 metros de largura.
• O Navio tanque “Ouro do Brasil”, com 140 metros de comprimento, transporta, a granel, em seus tanques frigoríficos, 9.200 toneladas de suco concentrado congelado de laranja, do terminal da Citrosuco, no Porto de Santos, para a Europa e Estados Unidos.
• Navios especializados em transporte de veículos, denominados Ro-Ro (abreviação da expressão inglesa roll on-roll of, que descreve a peculiaridade da carga embarcar e desembarcar por seus próprios meios, ou seja, rodando, através de rampas), transportam milhares de veículos por viagem. No Brasil, terminais portuários foram construídos ou adaptados para essa modalidade de transporte.
As linhas comerciais marítimas de interesse do Brasil representam um tráfego de 500 Navios Mercantes por dia. O acompanhamento, ao mostrar a reduzida participação da bandeira brasileira, permite avaliar como o Brasil perde oportunidades. Apenas 3% desse tráfego é atendido por navios nacionais. Enquanto isto, a Índia, em seu planejamento estratégico, busca aumentar a participação de navios próprios em seu comércio exterior. Gradativamente, amplia a participação nesse mercado, já sendo, atualmente, responsável por cerca de um terço do transporte.
Existem países que auferem receitas substanciais atuando no tráfego marítimo como terceira bandeira (de forma simplificada: o país participa da linha comercial entre o país “A” e o país “B”, vendedor e comprador, que seriam as primeira e segunda bandeira). Esses países possuem uma legislação mais flexível, de modo a reduzir os custos para o armador.
Se tirássemos os navios estrangeiros do mqpa, não sobraria, praticamente, nada. Trata-se de uma perda de oportunidade acentuada. Uma perda tripla, uma vez que:
• estamos drenando recursos, da ordem de vários bilhões de dólares, pagando frete ao estrangeiro;
• deixamos de aproveitar um segmento capaz de gerar uma enorme quantidade de empregos diretos e indiretos, em vários níveis de capacitação; e
• perdemos uma posição de relevo no setor, tanto no que se refere ao transporte marítimo nas linhas de interesse nacional, quanto na construção naval, por aspectos que podem ser atribuídos a fatores externos, mas também a um conjunto de decisões tomadas no passado, modernizadoras, mas que não levaram em conta a necessidade de salvaguardas que preservassem os ganhos auferidos nas etapas anteriores.
O fato é que a construção naval somente conseguiu sobreviver graças às necessidades da indústria do petróleo. Entretanto, há alguma reação no setor e a navegação de cabotagem vem apresentando boas perspectivas.
Destaca-se que algumas empresas têm se voltado para o transporte multimodal, incluindo um componente fluvial ou marítimo, com a finalidade de reduzir os custos logísticos de suas operações. A Aracruz Celulose S. A., por exemplo, ao aumentar a capacidade de produção da Unidade Barra do Riacho (ES), viu crescer significativamente o volume de madeira de eucalipto e o tráfego rodoviário de carretas vindas do norte do Espírito Santo e do extremo sul da Bahia. Com base em diversos estudos, decidiu adotar o transporte de madeira por via marítima, reduzindo consideravelmente o número de carretas em circulação nas rodovias. Cada embarcação transporta até cinco mil toneladas de madeira – o equivalente a 95 carretas. O sistema iniciou a operação em2003.
Em 2004, com três barcaças e um empurrador em atividade, eliminou cerca de 40 mil viagens de carretas (“tritrens” ou “treminhões”) pela BR- 101. Ao menos mais uma barcaça e um empurrador entraram em operação desde então. O sistema foi dimensionado para, em sua plenitude, eliminar duzentas viagens de carretas por dia.
Petróleo e Gás

Mapa Pré-Sal. Fonte: Petrobrás
O nosso petróleo, basicamente, está no mar. Quando em terra, salvo poucas exceções, é explorado próximo a ele. Isto cria uma vulnerabilidade estratégica bastante acentuada.
Isto é particularmente agravado pelo fato de existirem cerca de 150 plataformas e sondas espalhadas na ZEE, algumas a mais de cem milhas da costa (cem milhas marítimas equivalem a 185,2 km).
Acrescente-se que é praticamente impossível impor restrições ao tráfego marítimo, pois a legislação reconhece o direito à livre navegação internacional na ZEE. Isso significa que qualquer país pode deslocar uma força naval para operar nas proximidades das áreas marítimas onde se localizam as nossas plataformas, sem nenhum constrangimento de ordem jurídica, embora possa haver de ordem política.
Na Amazônia Azul, independentemente de um cenário de crise, uma preocupação diuturna tem sido a proteção das instalações de petróleo no mar contra ações aparentemente inofensivas. As estruturas atraem vida marinha aderente, que por sua vez atraem peixes pequenos e esses os grandes. Obviamente, áreas piscosas funcionam como um chamariz para pescadores, cuja atividade pode causar acidentes de material e de pessoal (“pescando” mergulhadores imersos, por exemplo). Por este motivo, é proibida a aproximação de embarcações não autorizadas às plataformas. Proibição esta que é desrespeitada com relativa freqüência, quando se alivia a fiscalização.
A preocupação com a segurança e a fiscalização de áreas de explotação de petróleo é tão relevante, que o México estabeleceu um comando próprio, com embarcações e helicópteros, na Bacia de Campeche, porque aquela é uma área importante para a produção de petróleo do país, o qual é um grande exportador.
No Brasil, os legisladores compreenderam a importância do problema – o agravamento das tarefas cometidas à Marinha com o aumento da produção de petróleo – tanto que estabeleceram um percentual dos royalties para a Força. Ocorre que substancial parcela desses recursos não chega à Marinha.
Se a Marinha conseguisse trabalhar com a expectativa concreta de um aporte regular e previsível desses recursos, seria possível planejar e executar a obtenção de meios com racionalidade e economicidade. Navios são itens de grande maturação; o tempo decorrido entre a concepção, construção e a entrada em operação mede-se em vários anos -dependendo do tipo, mais de dez anos. A produção de gás natural segue o caminho do petróleo, e também assume valores expressivos no mar.
O gás não tinha importância e era desperdiçado até passado recente. Hoje em dia, cada vez tem maior valor, a ponto de ser motivo de pressão internacional contra o Brasil.
Recursos vivos
Iniciemos pela pesca. Apesar dessa costa imensa, o Brasil não possui áreas pesqueiras muito distribuídas.
Isto está relacionado às características de nossas águas. Elas são predominantemente quentes. Em raros lugares ocorre o processo de renovação (ressurgência – subida das águas profundas) capaz de trazer nutrientes do fundo. Acontece, por exemplo, na região de Cabo Frio (RJ) e na Região Sul, prolongando-se para o Uruguai e Argentina. Por este motivo, vez por outra, são capturados barcos de pesca brasileiros que invadem as águas uruguaias -a cata de regiões mais produtivas, esses barcos ultrapassam a fronteira e se envolvem em dificuldades. Acrescente-se que a pesca acentuada e predatória nas áreas costeiras reduziu em demasia os estoques.
Mas são boas oportunidades na pesca de alto mar. Para transformar essas oportunidades em realidade necessita-se de recursos e de tecnologias, de embarcações mais preparadas, etc. Na área oceânica, existem peixes muito valorizados no mercado internacional e que, portanto, possibilitariam auferir elevada receita.
No Atlântico Sul, o ente estatal de maior atividade é a Comunidade Européia, basicamente embarcações de pesca espanholas. Existem acordos de distribuição de cotas por espécie e a Comunidade Européia detém cotas elevadas. O Brasil tem lutado por cotas maiores e às vezes consegue obtê-las, como aconteceu recentemente com relação à determinada espécie.
O setor comemorou, mas não por muito tempo. Boa parte dos países compradores desse pescado de alta qualidade são, também, os que o pescam, ou seja, são concorrentes na atividade de captura.
Assim, podem ser criados empecilhos para a atuação do Brasil nesse mercado. Nesse contexto, a Comunidade Européia, recentemente, estabeleceu uma barreira sanitária para a importação de peixe fresco, exigindo a certificação do produto em laboratório, para a qual seria necessária a realização de exames de certa sofisticação. O problema é que este tipo de pescado é exportado a partir do Nordeste e, ao que consta, o único laboratório no Brasil que capacitado para realizar os exames exigidos está localizado no Rio de Janeiro. Tal exigência criou dificuldades que poderão ser contornadas ou não. De qualquer modo afetará a atividade produtiva, ao menos no que se refere aos custos.
Poderá também implicar no não atendimento da cota estabelecida, o que poderá acarretar dificuldades na próxima rodada de negociações, quando correremos o risco de sofrer pressão para abrir mão de parcela de nossa participação
Chama-se a atenção que poderemos ter problemas mesmo na nossa ZEE, a luz da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar. No artigo 62 lê-se que: “Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros Estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes.”
Nossa extensa ZEE possui regiões oceânicas ricas. Se não a explorarmos economicamente poderemos ser pressionados ou convencidos a ceder a pesca para outros países, a luz desse artigo.
Outro segmento com grande possibilidade de desenvol¬vimento é a aqüicultura, A criação de espécies em cativeiro – peixes, ostras, camarões, etc. – apresenta alta rentabilidade e reduz sobremaneira os danos ao meio ambiente. A atividade não está limitada às áreas marítimas. Constitui, inclusive, uma das boas opções de desenvolvimento para a Região Amazônica, apresentando elevado potencial de gerar riqueza. Em Mato Grosso, por exemplo, cria-se pirarucu em cativeiro.
Existem grandes possibilidades na produção de artigos de decoração, de cosméticos, de medicamentos, na indústria química, etc. Exemplos:
• Anticoagulantes podem ser obtidos a partir de esponjas marinhas, de forma muito mais barata que nos processos atualmente empregados.
• A partir de uma substância isolada da alga Dictyota pfaffii, existente no litoral brasileiro, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, da Universidade Federal Fluminense e da Fundação Ataulfo de Paiva estão desenvolvendo um gel microbicida, com o propósito de ser empregado na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive o vírus HIV.p
Síntese
Pelo que foi descrito até aqui, as potencialidades desta extensa “Amazônia Azul” são imensas:
• Existem inúmeras atividades ligadas ao mar -Turismo; esporte, lazer, portos, transporte, aqüicultura, processamento e distribuição de alimentos, etc;
• Há uma ampla diversidade de recursos não-vivos – São recursos minerais de vários tipos, além do petróleo e do gás. Afinal, as mesmas formações geológicas presentes em terra firme estendem-se para o fundo mar. Na Namíbia e na África do Sul, por exemplo, extraem-se diamantes do fundo do mar. Na plataforma continental brasileira, na bacia de Pelotas e na da Foz do Amazonas, existem depósitos de hidratos de gás (trata-se de gás, normalmente metano, aprisionado sob pressão em cristais especiais de gelo, que possuem uma molécula gasosa em sua estrutura cristalina). A exploração de hidratos de gás ainda demanda tecnologia apropriada, mas apresenta boas perspectivas como fonte de energia. Neste tópico, faltou mencionar os recursos não-vivos mais óbvios: o sal e a água potável, que podem ser produzidos a partir da água salgada.
• Existe uma grande biodiversidade –As possibilidades neste campo são imensas: pesca, produção de fármacos, etc. Todos os argumentos relacionados à biodiversidade amazônica também se aplicam à biodiversidade marinha.
• Há inúmeras possibilidades para a geração de energia – O mar viabiliza a geração de energia a partir da: Variação de amplitude das marés -Aproveitando-se o desnível provocado pelas marés e a existência de reentrâncias, como rios, golfos ou baías, que permitam
• o represamento das águas. No Brasil, encontramos variações de maré da ordem de 9,6 m, no Amapá, e de 7,3 no Maranhão. Infelizmente, a topografia não permite grandes acumulações de água nessas regiões. -Energia das ondas – Trata-se do aproveitamento da energia gerada pelas oscilações da superfície do mar por meio de mecanismos pneumáticos. -Energia do gradiente térmico – Aproveitar a diferença de temperatura da água da superfície e a profunda para a instalação de máquinas térmicas.
• Por fim, por todos os fatores mencionados neste tópico, têm-se uma enorme capacidade de geração de empregos.
Responsabilidades do Brasil no Atlântico Sul.
Ao contrário do que muitos imaginam, as Forças Armadas não são empregadas apenas se houver guerra. Isto é uma visão muito limitada. As Forças Armadas brasileiras têm inúmeras responsabilidades em tempo de paz. Por vezes, responsabilidades que o Brasil assumiu no cenário internacional.
A área marítima de responsabilidade SAR (“search and rescue” – sigla internacional para busca e socorro) atribuída ao Brasil. Ela equivale a uma vez e meia o nosso território; o seu ponto mais distante de terra fica a 1.850 milhas náuticas, ou seja, quase 3500 quilômetros. É uma área em que a Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira têm que atuar no socorro de pessoas acidentadas ou enfermas, em obediência a compromissos internacionais assinados pelo Brasil.
Os Centros de Coordenação SAR que atuam na área marítima são conhecidos internacionalmente pela sigla MRCC, que significa Maritime Rescue Coordination Centre, acrescido do nome do país ou da cidade onde está localizado o Centro.
Salvamento da Marinha (SALVAMAR BRASIL), a cargo do Comando de Operações Navais. A área de responsabilidade é dividida em cinco regiões marítimas, atribuídas aos Comandos de Distritos Navais. Adicionalmente, existem Centros responsáveis pela coordenação SAR em vias navegáveis interiores da Bacia Amazônica e do Rio Paraguai: O SALVAMAR NOROESTE, com sede em Manaus (AM) (Comando do 9o Distrito Naval) e o SALVAMAR OESTE, com sede em Ladário (MS) (Comando do 6º Distrito Naval).
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http://energia-securanza.blogspot.com/2010_01_01_archive.html
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

domingo, 30 de outubro de 2011


Em missão da Nasa, Júpiter ajudará a revelar origens da vida no Sistema Solar

REPUBLICAÇÃO:

SEXTA-FEIRA, 5 DE AGOSTO DE 2011


Em missão da Nasa, Júpiter ajudará a revelar origens da vida no Sistema Solar



O estudo sobre Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, ajudará a revelar as origens do grupo planetário graças à missão Juno da Nasa - agência espacial americana -, que parte nesta sexta-feira a uma viagem de cinco anos que tem como meta surpreender não só com respostas, mas com descobertas inesperadas.
A missão Juno é a segunda missão eleita sob o plano "Novas Fronteiras", um programa misto entre a Nasa e o setor privado, centrado em um projeto para a prospecção do Sistema Solar com um orçamento de US$ 1 bilhão.
Juno, a deusa da maternidade e protetora das mulheres na mitologia romana, partirá ao encontro de seu marido Júpiter, a principal deidade do panteão romano, a bordo do foguete Atlas V a partir do Centro Espacial Kennedy da Nasa, em Cabo Canaveral (Flórida), na busca de respostas científicas.
Em entrevista à Agência Efe, Adriana Ocampo, da divisão de Ciências Planetárias da Nasa e responsável pela missão, indica que, entre as incógnitas que se deseja desvendar, está o papel exercido por Júpiter na evolução e na origem do Sistema Solar e da Terra.
Este planeta de grandes dimensões tem um grande campo magnético que atuou como barreira para impedir que as moléculas dispersas no Universo no princípio de sua história ficassem de fora do Sistema Solar e permitissem o surgimento de vida.
Seu campo gravitacional conseguiu apanhar as moléculas de hidrogênio e oxigênio com as quais se forma a água, ingredientes fundamentais que proporcionaram o desenvolvimento dos oceanos e da atmosfera da Terra, que criaram as condições necessárias para a vida.
"Em vez de ter sido totalmente árida, como teria sido se não tivesse tido moléculas de água e atmosfera, lhe deu a oportunidade de poder capturar essas moléculas levianas", indica Ocampo. Segundo ela, a pergunta que fica pendente para a missão Juno é "por que na Terra surgiu a vida como a concebemos, e não em outros planetas".
"Sabemos que, para a vida, são necessários pelo menos três ingredientes: matéria orgânica, água líquida e uma fonte de energia", como aconteceu na Terra, "mas há outros lugares em nosso Sistema Solar que possam ter tido ou estão tendo essa combinação, o que torna esta missão especialmente interessante", explica a responsável.
Já é conhecida a composição gasosa de Júpiter, principalmente de hidrogênio e hélio, mas a comunidade científica não sabe onde começa o núcleo e se tem uma parte sólida, dúvida que buscarão desvendar com a missão Juno.
Outro dos objetivos é analisar as mudanças climáticas de Júpiter e o impacto que elas têm para a Terra. Desde o século XVII os cientistas observaram a "grande mancha vermelha" de Júpiter, uma tempestade cuja área é duas ou três vezes o tamanho da terrestre e que permanece no planeta há mais de 300 anos.
"Não conhecemos o mecanismo que faz com que uma tempestade dure centenas de anos. Se pudermos entender o sistema climático tão complexo de Júpiter, também vamos poder entender o sistema climático de nosso planeta e, talvez, prever com melhor precisão ciclones e furacões", assinala Ocampo.
Ela destaca que o campo magnético de Júpiter é tão forte que, "se fosse maior, teria sido uma estrela, não um planeta, e nosso Sistema Solar teria sido binário", ou seja, teria duas estrelas. "Mas não chegou a ter a massa suficiente para surgir como uma estrela".
Depois de mais de seis anos de preparação, a missão Juno partirá nesta sexta-feira e Ocampo considera que, tanto para ela, como para a equipe de 250 pessoas que trabalha na missão, é muito gratificante, já que "se conseguiu fazê-la ao custo atribuído e no tempo determinado".
Quando chegar a seu destino em 2016, Juno dará 33 voltas pela órbita de Júpiter para tentar responder algumas dessas perguntas. "Tenho certeza de que haverá muitas descobertas que não esperávamos", salienta a cientista.
EFE

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O que Publicam os Principais Jornais do País, nesta segunda-feira (Sinopse Radiobras)


O Globo

Manchete: EUA:Obama anuncia acordo que evita calote
Congresso deve votar medida hoje; mercados abrem em alta

Faltando 48 horas para o Congresso americano aumentar o teto da dívida pública do país e, assim, evitar um calote que parecia iminente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem à noite que parlamentares democratas e republicanos chegaram a um acordo sobre o tema. A reação dos mercados financeiros foi imediata: em Tóquio, a Bolsa abriu em alta de 1,3%, e o dólar se valorizou frente ao iene. As discussões se arrastavam há semanas. O acordo, porém, ainda precisa ser votado na Câmara e no Senado, o que deve ocorrer hoje. Obama não detalhou o que foi acordado, mas, segundo parlamentares, o texto a ser votado prevê que o teto da dívida, hoje em US$ 14,3 trilhões, seria elevado em US$ 2,4 trilhões a US$ 2,8 trilhões. Em contrapartida, haverá um corte no Orçamento de US$ 1 trilhão. (Págs. 1 e 19)
Nova política industrial prevê alívio na folha
Desonerações devem ser por setores, e empresas de software, mesmo as que não exportam, podem ser beneficiadas. A nova política industrial, a ser anunciada amanhã, dará incentivos fiscais, como redução de IPI, atrelados a investimentos em pesquisa para segmentos como o automotivo. (Págs. 1 e 22)
Ministro diz a PT que não terá varredura
Para acalmar os ânimos do PT, que teme que a faxina anticorrupção respingue nas alianças em 2012, o ministro Gilberto Carvalho disse que não haverá uma "varredura geral". (Págs. 1 e 3)
Sem médico, hospital passa chave na porta
O Hospital municipal Rocha Maia, em Botafogo, fechou as portas ontem por falta de médicos. Quem procurou a emergência foi orientado a buscar outras unidades. (Págs. 1 e 18)
Tropas sírias matam 136 na véspera do Ramadã
Tropas do ditador da Síria, Bashar al-Assad, mataram 136 pessoas, a maioria na cidade de Hama, um dia antes do Ramadã, mês sagrado muçulmano. EUA e europeus prometeram intensificar ações contra o regime. (Págs. 1 e 25)
Aumenta invalidez por acidentes de trânsito
A violência no trânsito fez explodir os casos de invalidez por acidente. Nos primeiros seis meses do ano, foram 107.403 contra 151.588 de todo o ano de 2010, de acordo com as indenizações pagas pelo seguro DPVAT. (Págs. 1 e 11)

Piloto alertou em e-mail sobre falhas no avião que caiu (Págs. 1 e l0)

Digital & Mídia
Consumidores de baixa renda já são 46,5% do total na internet. (Págs. 1 e 21)
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Folha de S. Paulo

Manchete: Obama anuncia acordo que evita calote nos EUA
Não foram divulgados novo teto da dívida nem as áreas que vão sofrer cortes

O presidente Barack Obama anunciou acordo para cortar US$ 1 trilhão de gastos nos próximos dez anos e elevar o teto da dívida, evitando calote iminente.

O pacote, que precisa ser votado até amanhã, fica a quem de expectativas iniciais de corte de US$ 3 trilhões, mas põe fim a quase um mês de impasse. Uma nova rodada de ajustes será proposta em novembro. (Págs. 1 e Mundo A9)
Vinicius Mota : Supremacia do dólar não durará para sempre
O ano que vem marcara o 50º aniversário do episódio dos mísseis cubanos, que pôs em risco a estabilidade sustentada pela Guerra Fria.

A ameaça de calote americano é o que hoje questiona fundamentos da organização do mundo. Tal como ruiu a ordem bipolar, a supremacia do dólar não durará para sempre. (Págs. 1 e Opinião A2)
Forças leais ao ditador Assad massacram 140 na Síria
Num dos dias mais sangrentos desde o início da revolta contra o regime sírio, em março, ao menos 140 pessoas foram mortas neste domingo por forças leais ao ditador Bashar Assad.

O principal foco da repressão foi na cidade de Hama, onde tanques do Exército montaram cerco contra oposicionistas. EUA, Alemanha, Itália, França, Reino Unido e Turquia condenaram Damasco. (Págs. 1 e Mundo A12)
Entrevista - Irwin Jacobs
Para inventor, celular vai ser uma extensão do cérebro

Criador da maior empresa de chips para celulares, Irwin Jacobs diz em entrevista a Roberto Dias que essa tecnologia vai revolucionar a educação. Sobrevivente de forma rara de câncer, ele diz que não é possível afirmar que o celular é seguro para a saúde. (Págs. 1 e Poder A14)
Guia britânico auxilia gays a achar escolas mais amigáveis
Uma entidade britânica que combate a homofobia criou o primeiro guia on-line que classifica as escolas mais preparadas para receber gays, lésbicas, bissexuais e travestis. Para pesquisa, 65% desses estudantes dizem ter sofrido bullying homofóbico. (Págs. 1 e Saber C7)
Financiar carro em banco é melhor do que em revenda (Págs. 1 e B7)
Gustavo Cerbasi
Aposentado deve ter mais dinheiro para gastar, não menos (Págs. 1 e B8)

Editoriais
Leia "O recuo da Petrobras", sobre o plano de investimentos da empresa, e "Atraso escolar", acerca da alta no percentual de alunos defasados. (Págs. 1 e Opinião A2)
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O Estado de S. Paulo

Manchete: Concessionárias públicas lideram queixas no Procon
Operadoras de energia, telefonia e água foram as que mais atormentaram o consumidor em 20 de 24 Estados

As empresas de energia elétrica, de telefonia e de água e esgoto foram as que receberam o maior número de reclamações em 20 dos 24 Estados em que os Procons estão presentes. Concessionárias de serviços públicos superaram bancos e redes de varejo na liderança dos rankings de queixas dos consumidores. Um dos principais motivos apontados pelos especialistas para a piora do serviço público é o descompasso entre a demanda e os investimentos. "Os setores de telecomunicações e de energia foram privatizados porque o Estado não tinha condições de investir. Mas a setor privado não está fazendo o investimento necessário", afirma o professor Francisco Vignoli, do departamento de planejamento e análise econômica da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. (Págs. 1 e Economia B8 e B9)

Redes em expansão

As operadoras de telefonia e de energia elétrica afirmam que estão investindo o necessário e que seus índices de reclamação estão diminuindo. (Pág. 1)
BCs têm plano contra crise nos EUA
Bancos centrais das maiores economias se mobilizam para por em ação um plano de emergência, que inclui injetar recursos nos bancos comerciais, para tentar blindar os mercados e garantir que um eventual suspensão de pagamentos nos EUA não paralise o sistema financeiro internacional. Investidores, empresas e governos se preparam para uma segunda-feira turbulenta nas bolsas mundiais. (Págs. 1 e Economia B1)
Síria massacra 80 civis e Brasil negocia missão
Na véspera do início do Ramadã, o mês sagrado do Islã, o regime de Bashar Assad lançou violenta onda de repressão, matando pelo menos 80 civis na cidade de Hama, segundo grupos locais de defesa dos direitos humanos. Brasil, Índia e África do Sul querem enviar, em até duas semanas, uma missão a Damasco para consultar o governo sobre a reforma prometida. (Págs. 1 e Internacional A13)
Lei quer reduzir consumo de álcool por menor
Projeto de lei do governador Geraldo Alckmin propõe responsabilizar o proprietário do bar caso algum adolescente consuma bebida alcóolica no local. (Págs. 1 e Vida A11)
Poluição em casas e escritórios de São Paulo é até 392% pior
Com um aparelho do Laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade de São Paulo (USP), o Estado visitou ambientes internos de dez pontos da capital e constatou a presença de partículas inaláveis em índices até 392% superiores ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Poeira fina formada em até 80% pela queima de combustíveis, esse material particulado é um dos principais poluentes da cidade, onde a frota de veículos já supera os 7 milhões. (Págs. 1 e Cidades C1)
As novas gigantes do agronegócio
Empresários estreantes criam grandes grupos de produção de grãos e avançam na prestação de serviços, invadindo o terreno dominado pelas tradings. (Págs. 1 e Negócios)
Governo e oposição disputam cadeira no TCU (Págs. 1 e Nacional A4)

A cada 4 dias, um idoso é roubado por parente (Págs. 1 e Cidades C3)

Irã avança para ser maior força militar do Golfo (Págs. 1 e Internacional A14)

Notas & Informações
PAC continua devagar

Segundo relatório oficial, só 74% dos investimentos deverão ser concluídos até 20l4. (Págs. 1 e A3)
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Correio Braziliense

Manchete: Obama fecha acordo para evitar calote
Depois de correr contra o tempo para não colocar em risco sua credibilidade de bom pagador, governo dos EUA consegue, na última hora, evitar o pior

A 27 horas do prazo-limite para o calote dos títulos públicos do país, o presidente norte-americano anunciou um acordo entre republicanos e democratas para elevar o nível do endividamento dos EUA, hoje em US$ 14,3 trilhões. O consenso precisa agora ser oficializado por votação. O preço, no entanto, foi alto: cortes de US$ 2,5 trilhões nos gastos do Tesouro (US$ 1 trilhão ao longo de 10 anos e o restante a negociar) e uma sangria na popularidade do presidente que o deixou mais fraco para a disputa eleitoral. (Págs. 1, 8 e 9)
Os imigrantes invisíveis
Infiltrados no Brasil, máfia do leste europeu e outros grupos internacionais trazem ao país estrangeiros que aqui passam a viver sem serem notados. Ligados ao narcotráfico, permanecem até caírem nas mãos da Polícia Federal. É o caso da espanhola Maria de los Angeles, presa em Brasília. (Págs. 1, 6 e 7)
Congresso: Governo deve enfrentar pressão
Crise política no Ministério dos Transportes estará no centro da pauta na reabertura dos trabalhos no Senado, o que, somado às negociações por emendas, pode resultar em dores de cabeça para o Executivo. No DF, distritais retornam discutindo temas polêmicos. Entre eles, o projeto de ordenamento territorial. (Págs. 1, 2, 17 e Visão do Correio, 10)
Terminais rodoviários do DF estão abandonados (Págs. 1, 20 e 21)

Síria massacra manifestantes
Tropas do governo mataram pelo menos 136 civis — 100 deles na cidade de Hama — que pediam mudanças no regime de Damasco. O ataque ocorreu na véspera do Ramadã, mês sagrado para os islâmicos. (Págs. 1 e 12)
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Valor Econômico

Manchete: Só o projeto do trem-bala custa R$ 1 milhão por km
O governo vai investir R$ 540 milhões dos cofres públicos na elaboração do projeto executivo para a construção do trem-bala. Esse aporte, equivalente a R$ 1 milhão por quilômetro da ferrovia, será feito por meio da Etav, estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, criada para ser o braço do governo no consórcio do trem de alta velocidade (TAV).

A elaboração desse estudo complexo, o qual vai demorar mais de um ano para ser concluído, tem a missão de detalhar tudo o que estiver direta e indiretamente relacionado à obra, evitando, assim, falhas de informação. (Págs. 1 e A3)
Economia europeia volta a desacelerar
A economia europeia está novamente desacelerando, agora também nas economias mais importantes. A Alemanha sofre com a queda das exportações e há claros sinais de que a demanda global está diminuindo. Grandes companhias europeias alertam que suas perspectivas de negócios pioraram, num cenário de temores sobre o impacto da crise da dívida soberana e redução do comércio global. Seus resultados no segundo trimestre dão a mesma mensagem - deterioração na demanda, preços de matérias-primas em forte alta e cortes de custos superando agora os planos de expansão. Diante de um cenário pouco alentador, os bancos da zona do euro endureceram padrões de concessão de crédito. A expectativa é de que o crédito ficará ainda mais limitado nos próximos meses. (Págs. 1 e 8)
Brasília quer garantir liquidez
Com o impasse político nos EUA sobre a elevação do teto da dívida, o governo brasileiro já estuda recorrer a medidas de garantia de liquidez na economia, como fez durante a crise de 2008, quando ajudou bancos e empresas garantindo a expansão de crédito por meio de instituições públicas. As medidas seriam lançadas caso a crise política nos EUA leve a uma retração na economia mundial.

Ontem à noite, o presidente dos EUA, Barack Obama, e líderes do Congresso estavam no limiar de um amplo acordo para aumentar o teto de endividamento do governo e, ao mesmo tempo, cortar os gastos públicos em cerca de US$ 2,4 trilhões, mas o acordo ainda precisava do apoio de mais congressistas. Ainda não estava claro ontem à noite se o acordo discutido impediria que agências de risco rebaixassem a nota dos títulos de dívida do Tesouro dos EUA. (Págs. 1 e A11)
Foto legenda: Força para oposicionistas
O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri reelegeu-se ontem no segundo turno da eleição por larga margem, segundo pesquisas de boca de urna. Empresário, Macri deverá se consolidar como o principal nome da fragmentada oposição à presidente Cristina Kirchner. (Págs. 1 e A8)
As estratégias do quase 'rei' dos genéricos
Mais temido do que elogiado, ele não gosta de holofotes e tem estilo discreto, mas adota estratégia barulhenta quando se trata de colocar no mercado os medicamentos que fabrica. No ano passado, pôs nas ruas um exército para distribuir as primeiras cópias genéricas do Viagra, cuja patente, da Pfizer, expirou. As vendas explodiram. Esse é Carlos Sanchez, 49 anos, presidente do conselho de administração da EMS, a maior farmacêutica nacional.

O pai de Sanches, Emiliano, abriu uma farmácia em Santo André, nos anos 50, e fundou a EMS em 1964, mas o laboratório só ganhou projeção nos anos 90, com a lei dos genéricos. Hoje, com faturamento de R$ 3,37 bilhões, a empresa é cobiçada por multinacionais. (Págs. 1 e B8)
Recrutadores avaliam dotes culinários e rapidez no SMS
Para ser aprovado na etapa final do programa de jovens líderes da empresa de tecnologia da informação Bematech, Marcel Verdrossi teve que incorporar um "chef" e cozinhar para executivos da companhia. Os objetivos eram avaliar sua performance quanto ao trabalho em equipe, gestão de tempo e de recursos.

Na busca por talentos, as companhias estão diversificando seus processos de seleção e as características comportamentais estão sendo tão valorizadas quanto o conhecimento técnico. A construtora e incorporadora Plano & Plano, por exemplo, incluiu uma etapa inovadora durante o recrutamento para a área de marketing. Procurando por candidatos criativos e afinados com tecnologia, a empresa fez uma entrevista com os finalistas por SMS. (Págs. 1 e D10)
Assembleia de Deus seria um partido com 73% de sucesso
A Assembleia de Deus, denominação religiosa que completa cem anos de presença no Brasil, tem a maior taxa de sucesso eleitoral do país. Nas últimas eleições, a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil lançou 30 pastores e lideranças da igreja a uma vaga na Câmara dos Deputados. Foram eleitos 22 deles, um percentual de 73,3% de sucesso. Não há partido político no Brasil com tamanho êxito: o PT, maior bancada da Câmara, lançou 334 candidatos a deputado federal em todo o país e elegeu 88 (26,3%). Dos 73 deputados que compõem a bancada evangélica, os adeptos da Assembleia de Deus são um terço.

Quase toda sua bancada - 20 parlamentares - está na base de apoio da presidente Dilma Rousseff. O PSC é o partido mais bem representado, seguido pelo PR. Rondônia é o Estado que abriga mais parlamentares ligados à Assembleia de Deus, em termos absolutos e proporcionais. (Págs. 1 e A6)
Indústria desacelera
A indústria entrou na segunda metade do ano num ritmo fraco, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do HSBC. O indicador ficou em 47,8 pontos em julho, o nível mais baixo em 26 meses. (Págs. 1 e A4)
Caixa capta no exterior
A Caixa Econômica Federal começou a buscar recursos no exterior e está revendo sua estratégia de captação. A ideia é ampliar os acordes com bancos estrangeiros para reforçar o "funding". (Págs. 1 e C1)
Emergentes em vez dos EUA
O impasse sobre a elevação do teto do endividamento dos EUA levou os investidores a saírem das carteiras de curto prazo americanas em busca dos fundos de renda fixa, em especial de emergentes, segundo a consultoria EPFR Global. (Págs. 1 e D2)
Crime contra o sistema financeiro
Até o fim do ano, um grupo de advogados criminalistas, ministros de tribunais superiores, juízes e policiais federais, liderado por Márcio Thomaz Bastos, deve concluir anteprojeto para alterar a lei de crimes contra o sistema financeiro. (Págs. 1 e E1)
União da Dasa e MD1
O parecer da Procuradoria Geral do Cade inicialmente contrário à união entre MDl e Dasa pode trazer alguma pressão às ações da companhia. Mas analistas acreditam que a operação não deverá ser suspensa. (Págs. 1 e D4)
Ideias
Sergio Leo

O fortalecimento da defesa comercial é não só necessário como inadiável. Mas será remédio para os males da indústria. (Págs. 1 e A2)
Ideias
Martin Feldstein

Para cortar o déficit americano em relação ao PIB, não há como fugir de aumento de receitas limitando a redução de impostos. (Págs. 1 e Al3)
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Estado de Minas

Manchete: Impunidade à vista
Proposta na Assembleia beneficia 30 mil prefeitos e outros servidores investigados

Está pronta para ser votada no plenário da Casa uma emenda a projeto de lei que garante prescrição de processos que tramitam há mais de cinco anos no Tribunal de Contas do Estado. Dos 90 mil em análise no órgão, um terço deu entrada antes de 2006. Autor da proposta, o deputado Antonio Júlio (PMDB) alega que o objetivo é pressionar o tribunal a agilizar o trabalho e não penalizar os investigados, que esperam anos para ter caso julgado. Mas, na prática, significa que prefeitos e secretários processados por desvio de recursos públicos, por exemplo, ficarão impunes.(Págs. 1 e 3)
EUA fecham acordo para evitar calote
O presidente Barack Obama anunciou ontem à noite um acordo entre democratas e republicanos para elevação do teto da dívida de US$ 14,3 trilhões, que precisa ser votado no Congresso até amanhã. Sem dar detalhes, ele informou que o corte de gastos no país será de US$ 1 trilhão em 10 anos e outras medidas serão tomadas numa segunda etapa. (Págs. 1 e 10)
Brasileiros invadem a Argentina
Buenos Aires virou uma espécie de nova Guarapari. As razões são muitas: câmbio favorável, crise econômica do país vizinho, pacote de cinco dias a R$ 1 mil, mais barato do que viajar ao Nordeste. (Págs. 1 e 11)
AIDS: A força dos sobreviventes
Portadores do vírus HIV se livram da sentença de morte e levam vida normal com medicação, mas ainda sofrem com efeitos colaterais e preconceito. (Págs. 1, 17 e 19)
Máfia europeia comanda narcotráfico no Brasil (Págs. 1 e 7)

Procon: Aparelhos eletrônicos e celulares lideram queixas. (Págs. 1 e 12)

Sem voo: Mineiros estão retidos há dois dias em Portugal. (Págs. 1 e 15)

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Jornal do Commercio

Manchete: Volta às aulas exigirá paciência no trânsito
O que já é ruim deve ficar pior a partir de hoje com o retorno das aulas nas escolas particulares no Recife. Com mais carros nas ruas, CTTU e colégios prometem por em prática esquema especial. (Págs. 1 e 20)
Obama anuncia finalmente o acordo da dívida (Págs. 1 e 7)

Emprego que vem das Bolsas de Valores (Págs. 1 e 3)

Massacre na Síria (Pág. 1)

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Zero Hora

Manchete: Colapso no Central força ida de presos para Charqueadas
Solução encontrada pelo governo para cumprir determinação da Justiça provocará aumento de circulação de detentos para transferências e audiências na Capital. (Págs. 1 e 30)
Obama anuncia acordo para evitar calote
Proposta que prevê corte de gastos ainda será avaliada pelo Congresso dos EUA. (Págs. 1 e 14)
A cultura da lentidão: Hospital pronto há 11 anos nunca funcionou
Governos não se responsabilizam por obra em Barra do Ribeiro. (Págs. 1, 4, 5 e 10)
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Brasil Econômico

Manchete: Aposta em negócios polêmicos prejudica rentabilidade do BNDES
Compra de ações de gigantes como Marfrig e BRF rendeu menos que as críticas ao negócio. Retorno tende a ser de longo prazo

Se decidisse deixar o quadro acionário da Marfrig hoje, banco estatal receberia R$ 733 milhões por sua participação. O valor está bem abaixo do R$ 1,1 bilhão já aportado na empresa. O mesmo ocorre com os papéis que tem na BR Foods. O BNDES pagou R$ 750 milhões por 2,55% das ações, que hoje valem R$ 660 milhões. Nos dois casos, economistas criticam tanto a decisão de investimento quanto a concentração de mercado que os negócios propiciaram. (Págs. 1 e P4)

Projetos sociais ficaram com 6% do orçamento do banco em 2010. Percentual deve ser igual este ano. (Pág. 1)
Foto legenda: Telefônica vai adotar marca Vivo no próximo ano
A mudança criará a terceira marca comercial do grupo, que já conta com a O2 e a Movistar. A complexidade está na integração dos sistemas, diz o presidente da operadora, Antônio Carlos Valente. (Págs. 1 e P22)
Bolsa estende auditoria a agente autônomo
A iniciativa da BM&Fbovespa Supervisora de Mercado tem como objetivo aperfeiçoar processos e controles. Corretoras já vinham sendo sendo auditadas. (Págs. 1 e P30)
Ferrovias sem concorrência
A entrada de novos competidores no setor ferroviário pode ser difícil diante da estrutura de operação da malha, 70% dela dedicada ao transporte de minério. (Págs. 1 e P8)
Bahiagás dobra investimentos
Expansão da rede de fornecimento terá R$ 120 milhõesem 2012, ante R$ 60 milhões aplicados neste ano. Empresa prevê crescer 50% até 2015. (Págs. 1 e P18)
Fecomercio apresenta ao governo estudo com propostas para fomentar o desenvolvimento de jogos eletrônicos (Págs. 1 e P14)

EUA definem rumo dos investidores
Ansiedade marca desempenho do mercado, à espera do desfecho sobre dívida americana. (Págs. 1 e P32)
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terça-feira, 28 de junho de 2011

O que Publicam os Principais Jornais do País, nesta terça-feira

O Globo

Manchete: Siderúrgicas impulsionam novo ciclo de mineração
Gigantes como CSN, Arcelor, Gerdau e Usiminas vão investir US$ 12 bi

Com o apetite da China e o preço do minério de ferro no mercado internacional em alta desde a crise global de 2008, as siderúrgicas estão investindo pesado em mineração. A CSN, por exemplo, já produz todo o minério que precisa para jogar nos seus altos-fornos e fabricar o aço. Vão pelo mesmo caminho gigantes como a Gerdau, a ArcelorMittal e a Usiminas. A CSN, aliás, já lucra hoje mais com o minério do que atuando como siderúrgica. O resultado é que apenas essas quatro empresas do aço estão investindo US$ 12 bilhões até 2015 para atingir a autossuficiência. Com isso, elas se tornam fortes competidoras da Vale, mineradora tradicional no país e que sempre foi a grande fornecedora desse mercado. Justamente agora que a Vale quer investir mais em siderúrgicas. (Págs. 1 e 19)


Refazendo o mapa da mina
Os investimentos das siderúrgicas mudam o perfil de cidades que tradicionalmente não viviam da mineração. É o caso de Brumadinho e outros municípios na região de Serra Azul, em Minas. E, na Bahia, de Ilhéus e Caetité, que têm projeto da ENRC, do Cazaquistão. (Págs. 1 e 19)

Marina e seu grupo decidem sair do PV
Parte do grupo da candidata derrotada do PV à Presidência, Marina Silva, deixará o partido. A saída será oficializada em 7 de julho. Parte fica e tenta tomar o controle do partido. Marina quer disputar a Presidência - de volta ao PV ou em outro partido. (Págs. 1, 3 e Merval Pereira)

Governo blinda Ideli no caso dos aloprados
O Planalto jogará sua força política para barrar a convocação da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para depor no Congresso sobre seu suposto envolvimento com o caso dos aloprados. (Págs. 1 e 4)
Rio dá isenção até a empresa condenada
O Estado do Rio dá benefícios fiscais até para empresas condenadas. É o caso da Investiplan, de informática - condenada a ressarcir uma universidade e liberada de pagar R$ 28 milhões em ICMS. (Págs. 1 e 12)
Doença de Chávez deixa oposição inerte
Deputados opositores admitem que estão de mãos atadas diante da ausência do presidente e dos rumores cada vez mais intensos de que Chávez - internado em Havana - tem câncer. (Págs. 1 e 26)

Kadafi caçado pela Justiça internacional
O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra o ditador líbio, Muamar Kadafi, seu filho Saif e um cunhado por crimes contra a Humanidade. Mas são poucas as chances de prisão agora. (Págs. 1 e 27)
Pedro Doria
História dos hackers já coleciona ataques memoráveis. (Págs. 1 e 25)
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O Estado de S. Paulo

Manchete: Dilma manda base aprovar sigilo em todas as licitações
Presidente quer generalizar modelo de concorrência da Copa e da Olimpíada, como antecipou o 'Estado'

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a ministros que quer que o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) - destinado a licitar mais rapidamente serviços e obras - substitua a Lei das Licitações. A intenção foi revelada pelo Estado no dia 18. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi orientado por Dilma a discutir no Congresso a forma mais viável de fazer a alteração. Uma possibilidade é incluir as mudanças em projeto já aprovado na Câmara e que aguarda votação no Senado desde junho de 2009, cujo relator é Eduardo Suplicy (PT-SP). A medida provisória que trata do RDC foi aprovada na semana passada pela Câmara. As emendas devem ser votadas hoje. Aliados criticaram o texto. (Págs. 1 e Nacional A4)


Governo paulista reajusta pedágios em até 9,77%
O governo de São Paulo anunciou ontem os novos preços dos pedágios. O valor nas 12 concessões mais antigas do Estado de São Paulo foi reajustado com base no Índice Geral de Preços (IGP-M), que normalmente fica acima dos demais. No período usado como base para o cálculo (entre junho e maio), o índice acumulado esteve em 9,77%. Estão nesse caso rodovias como Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco e o sistema Anchieta-Imigrantes. (Págs. 1 e Cidades C1 e C3)


Déficit externo dobra e chega a US$ 4,1 bi
O déficit na conta corrente do balanço de pagamentos atingiu US$ 4,1 bilhões no mês passado, o maior valor para maio desde 1947 e o dobro do registrado em maio de 2010. O resultado acumulado em cinco meses é de US$ 22 bilhões. (Págs. 1 e Economia B1)

Kadafi agora é procurado
Na Líbia, mulheres comemoram o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra o ditador. (Págs. 1 e Internacional A11)

Brasil tem primeiro casamento gay
Um casal homossexual de Jacareí (SP) conseguiu ontem na Justiça o direito de converter sua união estável em casamento civil - fato inédito no País. A certidão de casamento, sob o regime de comunhão parcial de bens, será retirada hoje. (Págs. 1 e Vida A14)

Mercadante quer ajuda de hackers após ataques (Págs. 1 e Nacional A8)

Desigualdade cresce nos Brics, menos no Brasil (Págs. 1 e Economia B4)


Rubens Barbosa
Na mira dos hackers

Dada a vulnerabilidade do Brasil a essa nova forma de guerra, espera-se mais das autoridades, como medidas sofisticadas de defesa e punitivas. (Págs. 1 e Espaço Aberto A2)

Notas & Informações
Um brasileiro na FAO

A diplomacia brasileira conseguiu sua primeira grande vitória política em oito anos e meio. (Págs. 1 e A3)

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Valor Econômico

Manchete: Pacote reduzirá taxação na área de telecomunicações
O governo prepara um pacote de desoneração tributária para o setor de infraestrutura de telecomunicação. Nos moldes da Lei do Bem, que reduziu a carga de impostos sobre computadores e modens, o objetivo é estimular a produção nacional de equipamentos pesados de rede, como fibras ópticas, roteadores e antenas de transmissão de dados.

Em entrevista ao Valor, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que a meta é fazer com que, em 2014, a velocidade média da internet no país seja de 5 megabits por segundo - hoje, 70% dos acessos são feitos com menos de 1 megabit. As medidas fazem parte da política industrial a ser anunciada possivelmente na segunda quinzena de julho. (Págs. 1 e A4)

Suez e Duke vão se unir na América Latina
A International Power GDF Suez e a Duke Energy assinaram acordo de exclusividade na negociação dos ativos da empresa americana na América Latina. O negócio que está sendo planejado é a possível fusão dos ativos das duas companhias na região, que resultaria em uma geradora com mais de 15 mil MW de capacidade instalada e valor de mercado estimado em R$ 30 bilhões. A Suez ficaria com uma fatia de 60% a 70% na companhia resultante da união e a Duke Energy International, com o restante. Segundo fontes próximas às negociações, ainda não está certo que os ativos da Tractebel façam parte do acordo. A Tractebel é a maior geradora privada do Brasil e valia ontem R$ 18 bilhões na Bovespa. (Págs. 1 e D9)

Braskem vai investir US$ 4 bi fora do Brasil
Até 2015, a Braskem pretende investir US$ 4 bilhões em seus projetos de internacionalização. O Valor apurou que, nesse prazo, a companhia passará a produzir em outros países cerca de 5 milhões de toneladas de resinas termoplásticas. Se for bem-sucedida, a Braskem será uma das cinco maiores petroquímicas do mundo. Hoje, a empresa ocupa a oitava posição.

Ao Valor, Luiz de Mendonça, responsável pelos projetos internacionais e de resinas verdes da Braskem, confirmou os planos de expansão do grupo, mas não comentou os investimentos. Segundo ele, o projeto do México, em fase final de engenharia, com previsão para entrar em operação em 2015, ganhou um papel fundamental na expansão da companhia na América do Norte. Originalmente, os investimentos no México, de cerca de US$ 2,5 bilhões em parceria com a petroquímica Idesa, previam a construção de três fábricas, com capacidade para 1 milhão de toneladas de etileno e polietileno. Com a maior relevância dos EUA no plano de expansão, o projeto mexicano deverá ser reavaliado para elevar a capacidade de produção. (Págs. 1 e B1)

A revisão do princípio da "divina coincidência"
Olivier Blanchard, do FMI, e outros economistas engrossam o coro dos que acreditam que ideias aparentemente consensuais da política monetária deveriam ser revistas. A primeira é a quase obsessão da inflação baixa como mandato primário do banco central, em nome de um hiato do produto igual a zero. Essa convergência entre o PIB de equilíbrio e o produto observado, conhecida como "divina coincidência", é artifício amplamente usado para calibrar os juros. O segundo princípio a ser revisto está associado à política monetária sob baixas taxas de inflação. O terceiro é o pilar "um instrumento, uma meta", que se desmontou definitivamente a partir da crise de 2008.

Depois da crise, a teoria da política monetária precisa dar respostas reais a problemas reais. O uso de regulações micro e macroprudenciais combinadas com taxas de juros levam aos mesmos resultados sobre a inflação, mas com taxa de sacrifício (desemprego) menor. Além disso, a alavancagem, a volatilidade dos mercados e os riscos de bolhas são reduzidos. (Págs. 1 e A14)

A complicada missão de paz de Diniz
A noite de ontem foi tumultuada no número 58 da Avenue Kléber, em Paris. No escritório do grupo Casino, uma informação recebida de última hora tirou o sono da diretoria da varejista francesa. Abilio Diniz, sócio do Casino na holding Wilkes, controladora do Grupo Pão de Açúcar, estava na capital francesa e, em vez de procurar o presidente do Casino, Jean-Charles Henri Naouri, teria ido primeiramente à sede do Carrefour na França.

Até o início da noite de ontem, a disposição do Casino era de conversar com Diniz. O grupo francês, porém, não cogitou, em momento algum, interromper o processo de arbitragem. Nem vai abrir mão de exercer a opção de compra do controle da Wilkes em junho de 2012, já prevista no acordo de acionistas. (Págs. 1 e B4)

Nissan vai construir nova fábrica no Brasil, diz Carlos Ghosn (Págs. 1 e B8)


Receita de importações
O aumento das importações contribuiu para fazer a receita dos tributos federais vinculados à importação crescer acima dos 11,3% da média da arrecadação. Até maio, o Imposto de Importação cresceu 21,3% e o IPI dos importados, 17%. (Págs. 1 e A3)

Agronegócios
Com resultados positivos praticamente garantidos em 2011 e boas previsões para os preços internacionais das principais commodities nos próximos anos, a expansão do agronegócio brasileiro até 2021 poderá ser mais acelerada do que projetam os técnicos do governo. (Págs. 1 e Especial)


Defensivos ilegais
A falsificação de defensivos agrícolas, que há dez anos representava apenas 5% dos produtos ilegais no país, já responde por 50% das apreensões. Os outros 50% são resultado de contrabando. Neste primeiro semestre, as apreensões de defensivos ilegais aumentaram 52%. (Págs. 1 e B11)

África do Sul averigua dumping
O governo da África do Sul iniciou investigação antidumping contra as exportações brasileiras de frango inteiro e cortes desossados, que representam 20% das vendas para o país. Até maio, a receita obtida na África do Sul somou US$ 92 milhões. (Págs. 1 e B12)


Agricultura familiar
Plano de Safra da agricultura familiar será anunciado sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff, terá política exclusiva de garantia de preços pelo governo e passará a ter incentivos oficiais para a venda direta no varejo. (Págs. 1 e B12)

BB acelera na Argentina
O argentino Banco Patagônia, controlado pelo Banco do Brasil, vai assumir a folha de salários e o pagamento a fornecedores do projeto Potássio Rio Colorado, da Vale. Também vai repassar US$ 200 milhões do BNDES em financiamento à importações. (Págs. 1 e C1)

Ideias
Delfim Netto

A crise atual mostrou que não existe "mercado" sem um Estado capaz de garantir as condições de seu funcionamento. (Págs. 1 e A2)

Ideias
Marcelo Neri

É preciso melhorar o acesso ao mercado de trabalho, completando o movimento de queda da desigualdade em curso. (Págs. 1 e Al3)

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Zero Hora

Manchete: O Rio Grande enregelado
Depois da neve, Estado foi atingido por rajadas de vento sul tão frias que fizeram a sensação térmica em São José dos Ausentes chegar a -13°C.

Ventania deixa 100 mil pessoas sem luz no RS.

Suspensas aulas em São José dos Ausentes.

Cientista: “Passo mais frio aqui do que na Antártica”. (Págs. 1, 4 a 8 e 40)


Efeito pressão: Piratini vai reformular pacote da previdência
Pressionado por PTB, 28 entidades de servidores, deputados aliados e Ordem dos Advogados do Brasil, governo vai rever percentuais de contribuição. (Págs. 1 e 10)

Ambiente: Campo gera 67,7% do efeito estufa no Estado
Agricultura e criação de gado seriam maiores responsáveis pela má qualidade do ar gaúcho, aponta estudo. (Págs. 1 e 34)

Socorro federal
Auxílio para arroz será de R$ 427 milhões. (Págs. 1 e 26)

Distribuição de renda
Cidades gaúchas são destaque em ranking. (Págs. 1 e 20)

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Brasil Econômico

Manchete: Indústria têxtil se organiza para reagir à concorrência chinesa
Com perda de competitividade crescente, empresas confiam em sinalização de ações do governo para recuperar desempenho

Depois de terem recebido sinal verde para negociação por parte do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em reunião na semana passada, empresários organizam-se para defender necessidade de desoneração da folha de pagamento no segmento atrelada à unificação do ICMS — para redução da guerra fiscal entre os estados. A meta é o equilíbrio na balança comercial do setor, altamente deficitária em razão da concorrência dos produtos chineses. (Págs. 1 e 4)


Brasil tem participação inferior a 1% nas compras chinesas de produtos têxteis.

Governo finaliza regras para debêntures que vão estimular obras de infraestrutura. (Págs. 1 e 10)


Com real valorizado, país pode atrair até US$ 45 bilhões do Japão em 12 meses. (Págs. 1 e 30)


Como o Planalto pressionou a Vale
Wikileaks divulga telegramas que mostram exigências do governo. A empresa nega. (Págs. 1 e 40)
Nissan anuncia fábrica no Brasil
Montadora japonesa planeja produzir 200 mil carros por ano no país. Para Christian Meunier, presidente no Brasil, empresa precisa de fábrica maior para ser grande competidora. (Págs. 1 e 24)
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O Globo

Manchete: Siderúrgicas impulsionam novo ciclo de mineração
Gigantes como CSN, Arcelor, Gerdau e Usiminas vão investir US$ 12 bi

Com o apetite da China e o preço do minério de ferro no mercado internacional em alta desde a crise global de 2008, as siderúrgicas estão investindo pesado em mineração. A CSN, por exemplo, já produz todo o minério que precisa para jogar nos seus altos-fornos e fabricar o aço. Vão pelo mesmo caminho gigantes como a Gerdau, a ArcelorMittal e a Usiminas. A CSN, aliás, já lucra hoje mais com o minério do que atuando como siderúrgica. O resultado é que apenas essas quatro empresas do aço estão investindo US$ 12 bilhões até 2015 para atingir a autossuficiência. Com isso, elas se tornam fortes competidoras da Vale, mineradora tradicional no país e que sempre foi a grande fornecedora desse mercado. Justamente agora que a Vale quer investir mais em siderúrgicas. (Págs. 1 e 19)


Refazendo o mapa da mina
Os investimentos das siderúrgicas mudam o perfil de cidades que tradicionalmente não viviam da mineração. É o caso de Brumadinho e outros municípios na região de Serra Azul, em Minas. E, na Bahia, de Ilhéus e Caetité, que têm projeto da ENRC, do Cazaquistão. (Págs. 1 e 19)
Marina e seu grupo decidem sair do PV
Parte do grupo da candidata derrotada do PV à Presidência, Marina Silva, deixará o partido. A saída será oficializada em 7 de julho. Parte fica e tenta tomar o controle do partido. Marina quer disputar a Presidência - de volta ao PV ou em outro partido. (Págs. 1, 3 e Merval Pereira)
Governo blinda Ideli no caso dos aloprados
O Planalto jogará sua força política para barrar a convocação da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para depor no Congresso sobre seu suposto envolvimento com o caso dos aloprados. (Págs. 1 e 4)
Rio dá isenção até a empresa condenada
O Estado do Rio dá benefícios fiscais até para empresas condenadas. É o caso da Investiplan, de informática - condenada a ressarcir uma universidade e liberada de pagar R$ 28 milhões em ICMS. (Págs. 1 e 12)
Doença de Chávez deixa oposição inerte
Deputados opositores admitem que estão de mãos atadas diante da ausência do presidente e dos rumores cada vez mais intensos de que Chávez - internado em Havana - tem câncer. (Págs. 1 e 26)
Kadafi caçado pela Justiça internacional
O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra o ditador líbio, Muamar Kadafi, seu filho Saif e um cunhado por crimes contra a Humanidade. Mas são poucas as chances de prisão agora. (Págs. 1 e 27)
Pedro Doria
História dos hackers já coleciona ataques memoráveis. (Págs. 1 e 25)
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O Estado de S. Paulo

Manchete: Dilma manda base aprovar sigilo em todas as licitações
Presidente quer generalizar modelo de concorrência da Copa e da Olimpíada, como antecipou o 'Estado'

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a ministros que quer que o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) - destinado a licitar mais rapidamente serviços e obras - substitua a Lei das Licitações. A intenção foi revelada pelo Estado no dia 18. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi orientado por Dilma a discutir no Congresso a forma mais viável de fazer a alteração. Uma possibilidade é incluir as mudanças em projeto já aprovado na Câmara e que aguarda votação no Senado desde junho de 2009, cujo relator é Eduardo Suplicy (PT-SP). A medida provisória que trata do RDC foi aprovada na semana passada pela Câmara. As emendas devem ser votadas hoje. Aliados criticaram o texto. (Págs. 1 e Nacional A4)

Governo paulista reajusta pedágios em até 9,77%
O governo de São Paulo anunciou ontem os novos preços dos pedágios. O valor nas 12 concessões mais antigas do Estado de São Paulo foi reajustado com base no Índice Geral de Preços (IGP-M), que normalmente fica acima dos demais. No período usado como base para o cálculo (entre junho e maio), o índice acumulado esteve em 9,77%. Estão nesse caso rodovias como Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco e o sistema Anchieta-Imigrantes. (Págs. 1 e Cidades C1 e C3)

Déficit externo dobra e chega a US$ 4,1 bi
O déficit na conta corrente do balanço de pagamentos atingiu US$ 4,1 bilhões no mês passado, o maior valor para maio desde 1947 e o dobro do registrado em maio de 2010. O resultado acumulado em cinco meses é de US$ 22 bilhões. (Págs. 1 e Economia B1)
Kadafi agora é procurado
Na Líbia, mulheres comemoram o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra o ditador. (Págs. 1 e Internacional A11)
Brasil tem primeiro casamento gay
Um casal homossexual de Jacareí (SP) conseguiu ontem na Justiça o direito de converter sua união estável em casamento civil - fato inédito no País. A certidão de casamento, sob o regime de comunhão parcial de bens, será retirada hoje. (Págs. 1 e Vida A14)
Mercadante quer ajuda de hackers após ataques (Págs. 1 e Nacional A8)
Desigualdade cresce nos Brics, menos no Brasil (Págs. 1 e Economia B4)

Rubens Barbosa
Na mira dos hackers

Dada a vulnerabilidade do Brasil a essa nova forma de guerra, espera-se mais das autoridades, como medidas sofisticadas de defesa e punitivas. (Págs. 1 e Espaço Aberto A2)
Notas & Informações
Um brasileiro na FAO

A diplomacia brasileira conseguiu sua primeira grande vitória política em oito anos e meio. (Págs. 1 e A3)
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Valor Econômico

Manchete: Pacote reduzirá taxação na área de telecomunicações
O governo prepara um pacote de desoneração tributária para o setor de infraestrutura de telecomunicação. Nos moldes da Lei do Bem, que reduziu a carga de impostos sobre computadores e modens, o objetivo é estimular a produção nacional de equipamentos pesados de rede, como fibras ópticas, roteadores e antenas de transmissão de dados.

Em entrevista ao Valor, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que a meta é fazer com que, em 2014, a velocidade média da internet no país seja de 5 megabits por segundo - hoje, 70% dos acessos são feitos com menos de 1 megabit. As medidas fazem parte da política industrial a ser anunciada possivelmente na segunda quinzena de julho. (Págs. 1 e A4)
Suez e Duke vão se unir na América Latina
A International Power GDF Suez e a Duke Energy assinaram acordo de exclusividade na negociação dos ativos da empresa americana na América Latina. O negócio que está sendo planejado é a possível fusão dos ativos das duas companhias na região, que resultaria em uma geradora com mais de 15 mil MW de capacidade instalada e valor de mercado estimado em R$ 30 bilhões. A Suez ficaria com uma fatia de 60% a 70% na companhia resultante da união e a Duke Energy International, com o restante. Segundo fontes próximas às negociações, ainda não está certo que os ativos da Tractebel façam parte do acordo. A Tractebel é a maior geradora privada do Brasil e valia ontem R$ 18 bilhões na Bovespa. (Págs. 1 e D9)
Braskem vai investir US$ 4 bi fora do Brasil
Até 2015, a Braskem pretende investir US$ 4 bilhões em seus projetos de internacionalização. O Valor apurou que, nesse prazo, a companhia passará a produzir em outros países cerca de 5 milhões de toneladas de resinas termoplásticas. Se for bem-sucedida, a Braskem será uma das cinco maiores petroquímicas do mundo. Hoje, a empresa ocupa a oitava posição.

Ao Valor, Luiz de Mendonça, responsável pelos projetos internacionais e de resinas verdes da Braskem, confirmou os planos de expansão do grupo, mas não comentou os investimentos. Segundo ele, o projeto do México, em fase final de engenharia, com previsão para entrar em operação em 2015, ganhou um papel fundamental na expansão da companhia na América do Norte. Originalmente, os investimentos no México, de cerca de US$ 2,5 bilhões em parceria com a petroquímica Idesa, previam a construção de três fábricas, com capacidade para 1 milhão de toneladas de etileno e polietileno. Com a maior relevância dos EUA no plano de expansão, o projeto mexicano deverá ser reavaliado para elevar a capacidade de produção. (Págs. 1 e B1)
A revisão do princípio da "divina coincidência"
Olivier Blanchard, do FMI, e outros economistas engrossam o coro dos que acreditam que ideias aparentemente consensuais da política monetária deveriam ser revistas. A primeira é a quase obsessão da inflação baixa como mandato primário do banco central, em nome de um hiato do produto igual a zero. Essa convergência entre o PIB de equilíbrio e o produto observado, conhecida como "divina coincidência", é artifício amplamente usado para calibrar os juros. O segundo princípio a ser revisto está associado à política monetária sob baixas taxas de inflação. O terceiro é o pilar "um instrumento, uma meta", que se desmontou definitivamente a partir da crise de 2008.

Depois da crise, a teoria da política monetária precisa dar respostas reais a problemas reais. O uso de regulações micro e macroprudenciais combinadas com taxas de juros levam aos mesmos resultados sobre a inflação, mas com taxa de sacrifício (desemprego) menor. Além disso, a alavancagem, a volatilidade dos mercados e os riscos de bolhas são reduzidos. (Págs. 1 e A14)
A complicada missão de paz de Diniz
A noite de ontem foi tumultuada no número 58 da Avenue Kléber, em Paris. No escritório do grupo Casino, uma informação recebida de última hora tirou o sono da diretoria da varejista francesa. Abilio Diniz, sócio do Casino na holding Wilkes, controladora do Grupo Pão de Açúcar, estava na capital francesa e, em vez de procurar o presidente do Casino, Jean-Charles Henri Naouri, teria ido primeiramente à sede do Carrefour na França.

Até o início da noite de ontem, a disposição do Casino era de conversar com Diniz. O grupo francês, porém, não cogitou, em momento algum, interromper o processo de arbitragem. Nem vai abrir mão de exercer a opção de compra do controle da Wilkes em junho de 2012, já prevista no acordo de acionistas. (Págs. 1 e B4)
Nissan vai construir nova fábrica no Brasil, diz Carlos Ghosn (Págs. 1 e B8)

Receita de importações
O aumento das importações contribuiu para fazer a receita dos tributos federais vinculados à importação crescer acima dos 11,3% da média da arrecadação. Até maio, o Imposto de Importação cresceu 21,3% e o IPI dos importados, 17%. (Págs. 1 e A3)
Agronegócios
Com resultados positivos praticamente garantidos em 2011 e boas previsões para os preços internacionais das principais commodities nos próximos anos, a expansão do agronegócio brasileiro até 2021 poderá ser mais acelerada do que projetam os técnicos do governo. (Págs. 1 e Especial)

Defensivos ilegais
A falsificação de defensivos agrícolas, que há dez anos representava apenas 5% dos produtos ilegais no país, já responde por 50% das apreensões. Os outros 50% são resultado de contrabando. Neste primeiro semestre, as apreensões de defensivos ilegais aumentaram 52%. (Págs. 1 e B11)
África do Sul averigua dumping
O governo da África do Sul iniciou investigação antidumping contra as exportações brasileiras de frango inteiro e cortes desossados, que representam 20% das vendas para o país. Até maio, a receita obtida na África do Sul somou US$ 92 milhões. (Págs. 1 e B12)

Agricultura familiar
Plano de Safra da agricultura familiar será anunciado sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff, terá política exclusiva de garantia de preços pelo governo e passará a ter incentivos oficiais para a venda direta no varejo. (Págs. 1 e B12)
BB acelera na Argentina
O argentino Banco Patagônia, controlado pelo Banco do Brasil, vai assumir a folha de salários e o pagamento a fornecedores do projeto Potássio Rio Colorado, da Vale. Também vai repassar US$ 200 milhões do BNDES em financiamento à importações. (Págs. 1 e C1)
Ideias
Delfim Netto

A crise atual mostrou que não existe "mercado" sem um Estado capaz de garantir as condições de seu funcionamento. (Págs. 1 e A2)
Ideias
Marcelo Neri

É preciso melhorar o acesso ao mercado de trabalho, completando o movimento de queda da desigualdade em curso. (Págs. 1 e Al3)
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Zero Hora

Manchete: O Rio Grande enregelado
Depois da neve, Estado foi atingido por rajadas de vento sul tão frias que fizeram a sensação térmica em São José dos Ausentes chegar a -13°C.

Ventania deixa 100 mil pessoas sem luz no RS.

Suspensas aulas em São José dos Ausentes.

Cientista: “Passo mais frio aqui do que na Antártica”. (Págs. 1, 4 a 8 e 40)

Efeito pressão: Piratini vai reformular pacote da previdência
Pressionado por PTB, 28 entidades de servidores, deputados aliados e Ordem dos Advogados do Brasil, governo vai rever percentuais de contribuição. (Págs. 1 e 10)
Ambiente: Campo gera 67,7% do efeito estufa no Estado
Agricultura e criação de gado seriam maiores responsáveis pela má qualidade do ar gaúcho, aponta estudo. (Págs. 1 e 34)
Socorro federal
Auxílio para arroz será de R$ 427 milhões. (Págs. 1 e 26)
Distribuição de renda
Cidades gaúchas são destaque em ranking. (Págs. 1 e 20)
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Brasil Econômico

Manchete: Indústria têxtil se organiza para reagir à concorrência chinesa
Com perda de competitividade crescente, empresas confiam em sinalização de ações do governo para recuperar desempenho

Depois de terem recebido sinal verde para negociação por parte do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em reunião na semana passada, empresários organizam-se para defender necessidade de desoneração da folha de pagamento no segmento atrelada à unificação do ICMS — para redução da guerra fiscal entre os estados. A meta é o equilíbrio na balança comercial do setor, altamente deficitária em razão da concorrência dos produtos chineses. (Págs. 1 e 4)


Brasil tem participação inferior a 1% nas compras chinesas de produtos têxteis.
Governo finaliza regras para debêntures que vão estimular obras de infraestrutura. (Págs. 1 e 10)

Com real valorizado, país pode atrair até US$ 45 bilhões do Japão em 12 meses. (Págs. 1 e 30)

Como o Planalto pressionou a Vale
Wikileaks divulga telegramas que mostram exigências do governo. A empresa nega. (Págs. 1 e 40)
Nissan anuncia fábrica no Brasil
Montadora japonesa planeja produzir 200 mil carros por ano no país. Para Christian Meunier, presidente no Brasil, empresa precisa de fábrica maior para ser grande competidora. (Págs. 1 e 24)
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domingo, 29 de maio de 2011

Ex-generais da ditadura argentina condenados à prisão perpétua


Militares violaram os direitos humanos na província de Tucumán e perdaram direito de receber a aposentadoria


BUENOS AIRES - Os ex-generais argentinos Antonio Bussi e Luciano Menéndez foram dispensados do Exército para cumprirem a pena de prisão perpétua à qual foram condenados por cometer crimes contra a humanidade, informou neste sábado (28) o Ministério da Defesa do país.

A resolução que dispõe da dispensa dos dois ex-generais de divisão, condenados por violação dos direitos humanos na província de Tucumán durante o período da ditadura (1976-1983), foram assinadas por Arturo Puricelli, ministro da Defesa. A baixa acarreta na perda do direito de ambos receberem a aposentadoria.

Menéndez, de 83 anos, e Bussi, de 85, foram condenados em agosto de 2008 como co-autores do sequestro, tortura e assassinato do senador peronista Guillermo Vargas Aignasse, em 1976, em Tucumán.

Eles receberam penas de "prisão perpétua e inabilitação absoluta e perpétua".

Desde a anulação em 2003 das leis de anistia, dezenas de processos relacionados a crimes contra a humanidade estão em curso na Argentina.

Cerca de 30 mil pessoas despareceram durante a ditadura no país, de acordo com números dos organismos humanitários.

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